Em primeiro plano, mulher negra e magra com lenço rosa na cabeça. Mais ao fundo, outras mulheres

Diversidade, Equidade e Inclusão junto com a ANS: Recomendações para Operadoras de Planos de Saúde

O Ofício-Circular nº 5/2024 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) introduziu um marco significativo para a promoção da diversidade e inclusão no setor de saúde suplementar. Com orientações específicas, a ANS estabelece padrões inovadores que visam transformar o setor, garantindo que ele seja mais equitativo, acessível, inclusivo e representativo da diversidade da população brasileira.

Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS traz o conjunto de recomendações acerca da temática diversidade e inclusão nas operadoras de planos de saúde no Brasil. Nossos trabalhos seguirão para tornar essas recomendações uma regulação. 

Pioneirismo dessa ação

Essa iniciativa é pioneira por trazer, pela primeira vez, recomendações amplas e detalhadas sobre práticas de diversidade e inclusão em um setor essencial como o da saúde suplementar. A ANS declara que a promoção de um ambiente inclusivo não é apenas uma questão de justiça social, mas também de melhoria nos serviços prestados, impactando diretamente a qualidade do atendimento e a satisfação das pessoas beneficiárias. Além disso, a inclusão de diretrizes vinculadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por exemplo, destaca o compromisso do Brasil com esforços globais de combate ao racismo, na promoção da equidade, da igualdade de gênero, da saúde e bem-estar e da redução das desigualdades.


Impacto na vida das pessoas

As recomendações propostas pela ANS têm o potencial de causar mudanças transformadoras tanto para as pessoas beneficiárias dos planos de saúde quanto para as pessoas colaboradoras das operadoras. Entre os principais impactos:

  • Acesso Igualitário aos Serviços: A formatação de cadastros que contempla identidades de gênero e a inclusão de pessoas com deficiência garante o direito à saúde de maneira equitativa e respeitosa.
  • Acolhimento e Respeito: Linguagem inclusiva e acessível em materiais de comunicação e no atendimento garantem que todas as pessoas se sintam representadas e respeitadas, promovendo maior segurança psicológica.
  • Combate ao Racismo: Ações antirracistas, como letramento racial e campanhas de conscientização, criam um ambiente mais inclusivo para pessoas negras, promovendo igualdade e eliminando barreiras discriminatórias.
  • Inclusão Intergeracional: Políticas que valorizam as pessoas com mais de 60 anos e incentivam o convívio intergeracional que promovem um ambiente de acolhimento e respeito para todas as faixas etárias.

O que as operadoras devem fazer?

Para implementar as recomendações da ANS, as operadoras de planos de saúde devem adotar medidas práticas e estruturais, divididas em diferentes áreas:

  1. Prevenção à discriminação Criar projetos para coibir práticas discriminatórias relacionadas a gênero, sexualidade, raça, etnias indígenas, pessoas com deficiência, pessoas 60+ e suas interseccionalidades.
  2. Linguagem inclusiva Incorporar linguagem acessível e inclusiva em todas as comunicações, como formulários, manuais, e-mails e publicações, respeitando identidades de gênero e utilizando imagens que representam a diversidade brasileira.
  3. Revisão dos cadastros Adaptar os sistemas de cadastro para incluir todas as possibilidades de sexo biológico e identidade de gênero, garantindo o direito à identidade autopercebida.
  4. Acessibilidade Assegurar que os serviços de saúde estejam acessíveis para pessoas com diversos tipos de deficiência, incluindo aquelas com condições ocultas, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
  5. Valorização de idosos Implementar práticas que respeitem as necessidades específicas de pessoas com mais de 60 anos, criando ambientes projetados ao convívio intergeracional.
  6. Combate ao racismo, capacitismo, lgbtfobia e outras formas de discriminação Desenvolver programas de letramento racial e estratégias de combate ao racismo e outros tipos de discriminação, promovendo a equidade racial.
  7. Contratação Inclusiva Ampliar a diversidade nos processos de contratação, garantindo mais oportunidades para pessoas negras, LGBTQIAPN+, com deficiência e de diferentes idades.
  8. Capacitação Realizar treinamentos especializados para equipes médicas, administrativas e operacionais, com foco em preconceitos, estereótipos e suas interseções, promovendo um atendimento mais sensível e humanizado.
  9. Gestão de Dados Ajustar os sistemas de informação para permitir a desagregação de dados por cor, etnia e gênero, conforme o Estatuto da Igualdade Racial.

Considerações finais

A implementação dessas práticas por parte das operadoras de planos de saúde é um passo decisivo para a construção de um setor que valorize a diversidade e garanta a inclusão. Além de atender às exigências regulatórias, essas ações de forma voluntária nesse momento, reforçam a responsabilidade social das operadoras, fortalecendo sua confiança e promovendo um impacto positivo em toda a sociedade.

Essas mudanças, quando aplicadas, criarão um ambiente de saúde suplementar mais humano, acolhedor e alinhado aos valores democráticos que promovem justiça, equidade e inclusão.