Nas últimas semanas fui acionado por diversas pessoas, de áreas profissionais muito diferentes, questionando sobre a existência de ações para inclusão de profissionais com TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), com autismo e/ou dislexia.
Os casos identificados dentro das equipes e o desejo de oferecer suporte especializado para essas pessoas colaboradoras neuroatípicos estão crescendo, resultado de um programa de Diversidade e Inclusão de qualidade.
Para ajudar a entender esse artigo, cito a definição disponível no site da empresa Specialisterne.
“Em 1998, a socióloga e ativista Judy Singer criou o termo neurodiversidade como sinônimo de biodiversidade neurológica. De acordo com essa ideia, somos todos neurodiversos precisamente porque, embora pertençamos à mesma espécie, não existem dois cérebros iguais.
Na infinita variedade caracterizada pela neurodiversidade humana, entretanto, algumas pessoas compartilham uma série de características em comparação com outras. A maioria dos indivíduos segue um desenvolvimento neurológico que, sem considerar as diferenças individuais, pode ser considerado típico. Essas pessoas são chamadas de neurotípicas.
Uma parte menor da população (que está entre 15% e 20%) compartilha um desenvolvimento neurológico em alguns aspectos diferente da maioria, descrito do ponto de vista estatístico como atípico. Essas pessoas são definidas como neurodivergentes ou neuroatípicas, e entre elas podemos encontrar indivíduos com autismo, dislexia, TDAH, síndrome de Tourette, discalculia, disgrafia, etc.[1]
As pessoas neuroatípicas encontram no emprego apoiado, metodologia adaptada à cada um para o melhor desempenho de suas funções. A adaptação, realizada por especialistas em neurodiversidade junto com a gestão e equipe da área de recursos humanos, apresenta muitos benefícios em especial para manterem as entregas profissionais e participações sociais dentro de uma margem adequada.
Os principais resultados são a manutenção do emprego, da comunicação assertiva, das entregas profissionais, da renda, e em muitos casos, da autonomia financeira e tudo o que pode decorrer disso.
Para a empresa, o desafio está em ter especialistas em emprego apoiado disponíveis para identificar e apoiar as pessoas que precisarem. No Brasil a lei de cotas (art. 93 da Lei 8.213/91) obriga a contratação de pessoas com deficiência e, para manter o cumprimento dessa lei em dia, várias empresas investem na qualidade do seu processo inclusivo. O emprego apoiado é uma das melhores formas de ofertar qualidade na inclusão.
No entanto, nem todas as características da neurodiversidade se enquadram na lei de cotas. As pessoas com autismo conquistaram esse direito, por força da lei federal 12.764/12 que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e em seu § 2º do Art.1º diz: A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais.
As pessoas com TDA, TDAH, Dislexia, síndrome de Tourette, discalculia, disgrafia, e algumas outras ainda não usufruem desses direitos. Dessa forma, ainda é limitado o investimento das empresas na implementação de acessibilidade metodológica.
Enfim, para responder aos acionamentos que recebo periodicamente, aproveitei o conhecimento que possuímos sobre psicologia, emprego apoiado para pessoas com autismo e/ou com deficiência intelectual e iniciamos ações (ainda em piloto) que oferecerão suporte à pessoas com TDAH, na estruturação e acompanhamento de sua jornada de aprendizagem e trabalho (emprego apoiado).
As ações já realizadas foram: escuta do relato das pessoas com TDAH, da gestão e da equipe de recursos humanos. Isso nos convenceu a buscarmos mais recursos, estruturar o apoio individual e uma série de aulas online que apresentarão à empresa mais informações sobre o tema.
Esperamos além do apoio às pessoas neurodivergentes, ampliar o conhecimento sobre o tema, diminuir os estereótipos e preconceitos, criando um ambiente mais acessível e com maior segurança psicológica. Após esse piloto e com os aprendizados que esperamos ter, ampliaremos essas ações para mais características neuroatípicas.
Conhece alguma pessoa neuroatípica? Bora compartilhar esse artigo!









